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domingo, 6 de abril de 2008

TODO DIA É DIA DO ÍNDIO - parte 1



Começo hoje uma série de relatos sobre a cultura indígena no Brasil. Esses dados que postarei, são parte do meu TCC feito no final de 2005. Após pesquisa bibliográfica e também entrevista com índios Pataxós de Coroa Vermelha, pude concluir um lindo trabalho e comprovar mais ainda que os índios são mais do que "dança da chuva" e "uuuuuu" batendo a mão na boca (aliás, esses costumes não de índios norte-americanos). Enfim, começo hoje e vou até dia 19/04 (dia do índio) com textos divididos em 3 partes sobre essa cultura tão maravilhosa que relata um pouco daquilo que somos hoje e que é parte da missigenação de raças que vive em nós brasileiros.
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A cultura indígena, acumulada ao longo de centenas de anos, retrata a história de nosso país, constituindo-se em um importante acervo para a humanidade. Há ainda muito a ser descoberto e valorizado, em relação a essa cultura, que vai além de caras pintadas e penas na cabeça e rituais mais elaborados do que a mitológica dança da chuva.Porém, muitos professores abordam a cultura indígena de forma distorcida, estereotipada, simplista e muitas vezes distante da realidade.
Os brancos, desde o início do contato, quiseram transformar o brasilíndio, ensinando seus costumes, sua língua e religião. Estes por sua vez, fugiram do contato com os portugueses para o interior do país. Com o contato e as doenças, aos poucos as tribos litorâneas foram se extinguindo.
Estima-se, baseado em dados da FUNAI (2005), que na época do descobrimento (ou invasão) do Brasil, a sociedade indígena brasileira variasse entre 1 e 10 milhões de habitantes, falando em torno de 1300 línguas diferentes (não só tupi-guarani, como se tem conhecimento). Séculos se passaram e atualmente, o Brasil tem cerca de 345 mil índios, isso sem contar aqueles de tribos isoladas sem nenhum contato com o mundo e também não contando os que vivem na malha urbana desta sociedade.O contato dos índios com os novos habitantes da terra trouxe uma grande diversidade étnica, aparecendo miscigenações de raça, como
por exemplo: o mameluco, que resulta da mistura do índio com o branco, e o cafuzo, que se trata da mistura do índio com o negro. Se a individualidade genética é realmente alta em todo o mundo, no Brasil ela é maior ainda, como mostra a diversidade estampada no rosto da população brasileira. Tudo isso se dá pelo fato de que, quando os portugueses vieram colonizar o Brasil, não trouxeram suas mulheres com medo do ambiente selvagem e acabaram tendo filhos com nativas ou escravas africanas. Nos 500 anos desde que os portugueses aportaram aqui, o cruzamento de etnias tão diferentes foi tão intenso que é quase impossível encontrar um brasileiro que não tenha em seu código genético, genes africanos ou ameríndios.
A idéia de que a mesma fusão racial trouxe junto uma fusão cultural é tão parte da cultura brasileira quanto é a idéia da miscigenação racial. Nesse sentido, o Brasil não se esquiva de festejar datas comemorativas de santos católicos, com uma pitada de estética afro-religiosa, assim como não deixa de festejar o carnaval na forma de competição cabocla, celebrando a cultura indígena.