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terça-feira, 15 de abril de 2008

TODO DIA É DIA DE ÍNDIO - parte 3 (final)

Línguas Indígenas
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Se na época do descobrimento eram faladas 1300 línguas indígenas, hoje são reduzidas a apenas 180 famílias lingüísticas entre os povos indígenas. Essas famílias são divididas e subdivididas, fazendo com que índios que pertençam ao mesmo tronco lingüístico utilizem sem que sejam entendidos por outras tribos distintas, mas da mesma etnia. A extinção de línguas indígenas, segundo a FUNAI (2005), é também uma grande perda cultural, pois junto com ela, desaparecem para sempre costumes, crenças e enfim, toda cultura de um povo.
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Quem é o índio?
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É comum conceber-se uma imagem estereotipada e pré-concebida do índio. Mas existem hoje no Brasil, 215 sociedades indígenas, vivendo em todo território nacional e tendo cada uma características próprias. Segundo Cunha (1989), figuram no Estatuto do Índio (Lei nº 6.001, de 19.12.1979) no Artigo 3º a definição do que é o índio: “I- Índio ou Silvícola – É todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana que se identifica e é identificado como pertencente a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem da sociedade nacional”; (p.22).
O nome índio, segundo a FUNAI (2005), vem dos europeus, que ao chegarem a estas terras pensaram estar nas Índias. Mesmo após o reconhecimento do erro, ignoraram completamente os habitantes e seus costumes. Os índios são estigmatizados e não têm um estereótipo próprio que combine com que realmente são. Porém, alguns autores, antropólogos e pesquisadores, tentam numa luta árdua, derrubar essas barreiras embasados também na Constituição e nos Direitos do Índio. A imagem do índio é aquela típica ensinada nas escolas de Educação Infantil, no qual o indígena é um indivíduo praticamente mitológico ou generalizado de cabelos lisos, pele morena avermelhada e olhos puxados (características típicas de Xavantes ou Kayapós) e com penas na cabeça, fazendo a dança da chuva. É misturado um pouco de cada etnia indígena que se conhece ou tem em mente, misturado e criado um resultado final, que serve como parâmetro para a realidade que se deseja criar. O ser humano tende a usar de uma certa criatividade para criar o ser utópico que deseja ilustrar e assim faz com a imagem do índio, resgatando da memória um pouco de cada idéia que ouviu formando uma imagem que crê ser a real. É quase uma idealização mitológica. Com isso, conforme citado pela FUNAI (2005), um grupo de pessoas pode ser considerado ou não indígena, de acordo com seus interesses e a sociedade, embora algumas vezes, essa rotulação esteja ligada a interesses políticos.
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CONCLUINDO
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È inconcebível que um povo tão colorido e miscigenado, como o povo brasileiro, tenha vergonha de assumir os traços de seu passado, um povo que comemora datas internacionais com festas e pouco sabem sobre sua cultura e história. Somos uma nação que acredita que o país foi descoberto, enquanto na verdade, as nossas terras já eram habitadas e foram invadidas e exploradas. Perdemos nossas riquezas, dizimamos diversas comunidades indígenas que, extintas, deixaram no vento as pedras esfaceladas de sua cultura. Cada comunidade indígena que se perde, leva junto consigo dados históricos que só ela conhece, deixando apenas lendas e suposições de sua existência. O povo indígena sofre. Morre a cada dia com a derrubada de uma árvore, com a destruição de suas matas, com a poluição dos rios. É obrigado a se urbanizar para poder comer, sofre com o capitalismo dos brancos, perdendo toda sua pureza. A sociedade urbana engole a cada dia a sociedade indígena. Com seus “espelhos” vai seduzindo os índios e trocando a casta imagem deste povo por uma imagem sofrida, de um povo que nunca desiste de lutar. Hoje, os índios não morrem mais em confrontos, morrem também queimados em pontos de ônibus, morrem nas retomadas de terra, morrem de tristeza! Enquanto o branco comemora os 500 anos do país, os índios lamentam, choram por terem sido descobertos, confrontam-se com a polícia, pedem socorro. Não se sabe ao certo quanto tempo irá durar esse descaso, mas é provável que isso seja eterno. Talvez um dia esse povo seja até mesmo extinto. E enquanto o fim não chega, os poucos sobreviventes, aqueles 400.000 índios que restaram dos 6 milhões que haviam, tentam incansavelmente lutar contra o fim. Pintar a cara não é mais uma questão de tradição, pintar a cara é ser guerreiro, lutar contra preconceitos, descriminações e contra todos os ataques que sofrem diariamente. O índio não quer morrer, ele quer ser resgatado. Não quer ser folclore, quer ser gente, cidadão brasileiro assegurado constitucionalmente, quer ter espaço pra trabalhar, quer poder entrar com seus trajes típicos em qualquer ambiente, tentando fazer parte de algo que ele já é parte, mas é marginalizado.
Ao abordar o tema em sala de aula, cada professor deve resgatar a real importância da cultura indígena, não banalizando e nem resumindo a um dia somente.
Como todo dia é dia de brancos, negros, asiáticos, hindus, muçulmanos...
Enfim, todo dia é dia de quebrar as barreiras do preconceito e trazer o mito á realidade!

*Índios Pataxós de Coroa Vermelha/BA em visita a faculdade Uniceres em São José do Rio Preto/sp. Agosto de 2005.