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domingo, 1 de junho de 2008

Lá se fala português...


Quarta-feira, numa reunião de planejamento tivemos uma palestra com uma psicóloga que viveu uns tempos em Moçambique. Foi a melhor palestra a qual assisti este ano na escola e por isso resolvi contar um pouco sobre o que rolou.

Primeiramente, deixe-me falar especificamente da localização deste país:

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Moçambique é um país da costa oriental da África Austral, limitado a norte pela Zâmbia, Malawi e Tanzania, a leste pelo Canal de Moçambique e pelo Oceano Índico, a sul e oeste pela África do Sul e a oeste pelo Zimbabwe. Sua capital e maior cidade é Maputo.

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Moçambique é um país que fala o mesmo português que nós brasileiros, também tem muita miséria, mas sofre mais que o Brasil.

O país em questão, tem uma enorme hidrelétrica, a qual produz energia, que é exportada à África do Sul, quando apenas 30% de Moçambique tem iluminação. O resto vive no escuro, correndo todos os riscos que a escuridão pode causar. Pasmem, apenas 10% do país tem saneamento básico, 60% da população é formada por cidadãos analfabetos e apenas 0,01% chegam a ter uma formação superior.

Como se já não bastassem estes dados absurdos, o país sofre com o HIV e com a AIDS, que já toma conta de 20% desta população. Não há um dia, como relatou a palestrante, que não haja um enterro na cidade por conta da doença.

Outro fato curioso, pra não dizer outra coisa, é que há apenas 2 anos deixou-se de vender bebidas alcoólicas dentro das escolas, mas mesmo assim, na frente de cada uma delas, existem bares nos quais, professores e alunos se embebedam na hora dos recreios.

Este hábido de beber muito cedo, é passado para os meninos desde de pequenos, sendo uma espécie de símbolo de masculinidade. Com apenas 5 anos, uma criança já bebe junto a seu pai em bares. Outro fato peculiar desta cultura é que durante a vida, cada homem deve ter filhos com 3 mulheres diferentes e isso é quase que uma "lei". Já a menina, só mostra que realmente vale alguma coisa se puder engravidar o que faz com que ainda muito jovens, tenham o primeiro filho, que futuramente é adotado como legítimo pelo futuro marido e sua família. Acontece que, depois que tem o primeiro filho, esta menina passa a cometer abortos até encontrar o futuro marido, não há uma prevenção contra os mesmo.

Segundo a palestrante, no país o único combate à AIDS é feito através da exagerada distribuição de preservativos, mas não há uma ação verdadeiramente eficiente.

Numa das escolas em que esteve, quem tomava conta destes assuntos de prevenção era um menino de apenas 13 anos. Como o trabalho dela era junto à Secretaria de Saúde, fazendo um estudo de caso, perguntou ao jovem como andava o índice de meninas grávidas na escola e ele disse que no ano anterior, haviam tido 8 grávidas e que neste ano, somente 4. Após dizer isto, ela pergunto se esse trabalho tinha sido fruto dos folhetos explicativos enviados (senão me engano) pela França ao país e o menino disse: "Eu precisava fazer um trabalho com as meninas da 6ª série, que são as que chegam novatas à escola e é onde o índice é maior, mas acontece, que estas meninas chegam à escola falando o dialeto delas. Os folhetos são muito bonitos mas elas não entendem o que está escrito. Então, eu transformei a explicação em história em quadrinhos no dialeto delas e assim pude ser entendido. Por favor (disse á psicóloga), a senhora peça a eles que em vez de mandar os panfletos, que mandem papel em branco, pq uma caixa de lápis de cor eu ainda tenho."

Imaginem só, enquanto vários países mandam dinheiro e camisinhas ao país tentando combater o vírus e a doença, sem sorte alguma, um menino de 13 anos, numa ação louvável, consegue reduzir em 50% o índice de meninas grávidades dentro de uma escola.

Enfim, a palestrante encerrou dizendo que ficou muito impressionada com a únião das pessoas nesse país e com a alegria mesmo com tantos problemas e com menos de 2 décadas de sobrevivência pós guerra.

Muitas vezes reclamamos do nosso país, dos nossos governantes, das condições em que vivemos, do alimento em nosso prato, mas não nos damos conta de que lá fora, existe um mundo enorme, com vários problemas, enormes dificuldades e vastos furacões que nem somos capazes de imaginar.

Me desculpem se não lembrei mais detalhes pra contar, mas o nosso cérebro nem sempre consegue absorver tudo. Espero ter feito um resumo que sirva de aprendizado pra muitos dos meu leitores.

Desculpas também à minha ausência, mas estou dando aula em 2 escola e a correria é enorme.

Bjos enormes, uma boa semana e até a próxima viagem!