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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Mais uma "rata" em se tratando de Educação no estado de SP

Escolas da região recebem do Estado livro com palavrões

São José do Rio Preto, 20 de maio de 2009

Vivian Lima e Allan de Abreu



03:19 - Um livro que reúne histórias em quadrinhos contendo palavrões e piadas de cunho sexual distribuído pela Secretaria de Estado da Educação a alunos da 3ª série chegou a escolas da região de Rio Preto. Apesar de a assessoria da secretaria informar que determinou o recolhimento do material na semana passada, pelo fato dele ser impróprio a alunos na faixa dos 9 anos, ao menos dois municípios da região receberam a publicação esta semana. O livro “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol” chegou a escolas como Coronel Francisco Arnaldo da Silva, em Fernandópolis, e Eljacia Moreira, em Jales, mas pode estar presente também em outras unidades, já que diversas escolas de Rio Preto e municípios da região informaram ter recebido caixas de livros nesta semana, mas ainda não as abriram.O livro que reúne as histórias em quadrinhos foi adquirido pelo Estado para integrar o Programa Ler e Escrever, de reforço à alfabetização de crianças e incentivo à leitura. Em Jales e Fernandópolis, o livro não chegou à mão dos alunos. Isso porque o material está na escolas há poucos dias, sem ter sido separado e catalogado. Em Rio Preto, a informação obtida ontem junto à Diretoria de Ensino era de que o livro não tinha chegado às escolas da cidade. Em nota, a Secretaria de Estado da Educação afirma que a escolha do livro “foi um erro”, pois a publicação seria destinada a alunos da 3ª série, mas possui conteúdo inadequado para essa faixa etária. Entre os trechos da publicação está o conteúdo de uma tirinha onde um personagem diz: “nunca cocei o saco e falei merda ao mesmo tempo”.O governo instaurou sindicância para apurar as responsabilidades no processo de seleção dos livros. A sindicância tem de ser concluída em 30 dias. A pasta informa que determinou o recolhimento do livro no último dia 15, logo depois que coordenadores pedagógicos do programa Ler e Escrever receberam os primeiros exemplares. O órgão comunica ainda que o livro “Dez na área” é apenas um dos 818 títulos comprados para apoiar o Programa Ler e Escrever. Segundo a secretaria, 1.216 exemplares do “Dez na área” foram distribuídos às escolas estaduais, número que representa 0,067% dos 1,79 milhão de livros adquiridos para serem utilizados como material de apoio. Para o especialista em políticas educacionais da Universidade de São Paulo (USP), José Marcelino de Rezende, o livro gera uma visão deturpada da sexualidade “para um público que nem atingiu a puberdade”. “É um desrespeito ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) inaceitável no Estado mais rico da federação”, diz. Rezende atribui a falha a “uma mistura de incompetência com a arrogância de quem acha que não precisa ouvir educadores e professores antes de adquirir materiais didáticos”. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) tem visão parecida. “Não se recomenda esse tipo de leitura nem a adultos, quanto mais a crianças”, afirma a coordenadora da entidade em Rio Preto, Alaíde Nicoleti Pinheiro, para quem o livro incentiva a violência na escola.

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UNS MESES ATRÁS...

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Apostila da 6ª série tinha erro em mapaA distribuição do livro “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol” não é o primeiro caso de polêmica envolvendo obras didáticas na rede estadual de ensino. Em março deste ano, o Diário revelou, com exclusividade, que a Secretaria de Estado da Educação distribuiu 500 mil apostilas para alunos da 6ª série do ensino fundamental com um erro de geografia: no mapa da América do Sul, o Paraguai aparecia duas vezes - uma no lugar do Uruguai, outra na área geográfica da Bolívia. Além disso, o Equador não aparecia na ilustração. Após as reportagens do Diário, da “Folha de S.Paulo”, da Rede Globo e até de jornais de países sul-americanos, como o argentino “Clarín”, o governador José Serra determinou o recolhimento do material, confeccionado pela Fundação Vanzolini. Nove dias depois do escândalo, a secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, pediu demissão do cargo. Assumiu em seu lugar Paulo Renato Souza, ministro da Educação no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

FONTE: http://www.diarioweb.com.br